PROJETO URBANO AMBIENTAL PARA A CIDADE DE PALMAS / TOCANTINS

CLIENTE: CODETINS / GOVERNO DO ESTADO DO TOCANTINS

Localização: Palmas / TO

Área: 60 ha

Ano: 1992 / 1994

PROJETO DE URBANIZAÇÃO AMBIENTAL DA NOVA CAPITAL incluindo DESENHO URBANO, LUMINOTÉCNICA, MOBILIÁRIO URBANO, ARBORIZAÇÃO e TRATAMENTO PAISAGÍSTICO - Estudo Preliminar, Anteprojeto, Projeto Básico, Projeto de Geometria, Paginação de Piso e Locação de mobiliário, Projeto Executivo e Projeto de Plantação.

COMPLEXO PRAÇA DOS GIRASSÓIS :

PRAÇA DA CULTURA

PRAÇA DO MUSEU

PRAÇA DO CRUZEIRO

PRAÇA DO RELÓGIO DE SOL

PRAÇA DO ANFITEATRO

PRAÇA DA QUEDA D’ÁGUA

PRAÇA DA CATEDRAL

Estacionamentos e entorno das Secretarias de Estado;

Estacionamentos e áreas comerciais adjacentes ao Centro Administrativo.

Canteiros Centrais, Rótulas e Ciclovias.

PARQUE URBANO DA AV. J. TEOTÔNIO SEGURADO: Projeto do Parque Urbano e áreas de lazer; Ciclovias; Estacionamentos e desenho urbano do entorno das áreas comerciais da Avenida

AVENIDA JUSCELINO KUBITSCHEK: Passeios, Canteiro Central e Rótulas da avenida.

ARQUITETURA - anteprojetos: Anfiteatro, Snack-Bar, Relógio de Sol, Espelhos e Quedas D’água.

MOBILIÁRIO URBANO: redesenho de bancos, mesas, caixas decorreio, caixas coletoras de lixo, abrigos de ônibus, cabines telefônicas, quiosques, bancas de jornais, bancas de frutas e flores

APRESENTAÇÃO

PROJETO DE ARQUITETURA PAISAGÍSTICA PARA A CIDADE DE PALMAS / TOCANTINS - Projeto vencedor do “Concurso Nacional de Estudos Preliminares de Arquitetura Paisagística de Palmas/Tocantins”, promovido em 1992 pelo Governo do Estado de Tocantins e organizado pelo IAB – DF. Estudo Preliminar, Anteprojeto, Projeto Básico, Projeto de Geometria, Paginação de Piso e Locação de Mobiliário Urbano, Projeto Executivo e Detalhamento, Projeto de Plantação para toda a Cidade: o projeto paisagístico para o complexo Praça dos Girassóis resolveu trabalhar com base na estrutura do bioma local, o mosaico natural dos cerrados: florestas e veredas, savanas, campos e seus ecótones.

O concurso colocava uma difícil questão de escala: a Praça dos Girassóis, marco inicial da nova capital em construção, onde se localiza o centro administrativo estadual, com aproximadamente 60 ha, sendo dividida em quatro partes pelo cruzamento das duas avenidas principais da cidade, uma com 36m e outra com 150m de largura – grandes vazios separando as quadras e edifícios públicos que demandavam um sentido urbano deixado a cargo do tratamento paisagístico. Situação esta agravada pelo clima da região, de verões quentes e úmidos e invernos secos, onde amplo sombreamento tornava-se desejável, mas sem prejuízo das espaços com características cívicas.

A integração homem - natureza, a necessidade de interação com a paisagem autóctone, a procura de novos e diferentes níveis de experiências criados segundo o conceito de imagem linear, que depende sempre de uma série de espaços interligados que permitem ao usuário experimentar a paisagem de formas sucessivas – estas foram as diretrizes básicas do partido adotado para o tratamento paisagístico da nova cidade.

Apesar da função primordial de viabilizá-la climaticamente, além de humanizá-la, o tratamento paisagístico de Palmas considerou as peculiaridades e características inerentes ao sistema savanícola brasileiro – o Cerrado – como elemento principal de referência de fonte de inspiração. Assim, o componente vegetal espontâneo da flora regional predominará na paisagem urbana. Com o intuito de reforças a identificação do bioma, o tratamento paisagístico dividiu-se para melhor representar o Cerrado. Ao longo das vários eixos viários e, especialmente, em seu ponto de convergência, a Praça – Parque, onde estão o Palácio do Governo e demais prédios administrativos, encontrar-se-ão diversas composições florísticas que, auxiliadas por elementos próprios da geomorfologia local, proporcionarão uma significativa representação dos ecossistemas e de suas principais características: os campos limpos, os campos sujos, ao campos rupestres, os tratos de cerrado, de cerradões e suas veredas.

A intenção didática do projeto é bastante óbvia, contudo o motivo básico de sue planejamento está em restaurar a condição do ser humano de integrar-se e relacionar-se com os aspectos naturais da região em que pretende habitar. A interação da cidade com o panorama natural vizinho, respeitando suas especificidade faunística e florísticas foi, verdadeiramente, o ponto focal do nosso trabalho.

Foto da Cidade de Palmas mostrando áreas executadas

FITOFISIONOMIA DOS CERRADOS

O mosaico de paisagens naturais apresentado nos cerrados levou os estudiosos a estabelecerem classificações distintas com o intuito de facilitar e uniformizar a linguagem nesse domínio. Assim, a cobertura vegetal de cerrado abrange três categorias: a floresta, a savânica e a campestre. Na categoria florestal enquadram-se as matas de galeria, as matas de interflúvio, as matas secas de afloramento calcário e o cerradão. As formações savânicas abrangem o cerrado denso, o cerrado típico e o campo cerrado ou cerrado ralo; nas formações campestres: o campo sujo, o campo limpo e as veredas.

DA PRAÇA DOS GIRASSÓIS

PRAÇAS DO PALÁCIO ARAGUAIA (do Museu e da Cultura)

O palácio Araguaia, em sua face norte recebeu o tratamento de espaço cívico resultante da necessidade de concentrações. Em conseqüência, uma grande superfície pavimentada foi providenciada. O terreno foi acertado para permitir maior visibilidade a esta praça central, que teve seus acessos removidos para lente por questões de segurança. Os estacionamentos foram relocados para as laterais do Palácio evitando maior poluição visual.

Aqui, o tratamento paisagístico possui maior cunho estético, buscando valorizar as perspectivas do Palácio, de modo a não tirar a visibilidade.

Na praça cívica junto ao Museu foi criado um espelho d’água na intenção de representar um rio que faria a ligação das águas em movimento do Museu com a face sul da Praça que, em virtude dos desníveis apresentados pelo terreno, faz o “rio” descer em pequenas e sucessivas quedas d’água, evocando as corredeiras tão relevantes nas chapadas da região. Além de servir de mecanismo de controle bioclimático, ideal a espaços com grandes superfícies pavimentadas, providencia ao usuário a percepção do seu ambiente físico, envolvendo: percepção térmica, acústica, luminosa e olfativa. Este grande espaço das corredeiras, como a Praça da Cultura permite a localização de esculturas como pontos focais.

Croqui geral da proposta paisagística do Complexo da Praça dos Girassóis

COMPLEXO DA PRAÇA DOS GIRASSÓIS

 PRAÇA DA QUEDA D’ÁGUA

Do topo da Praça Central, como um rio, a água escorre a Noroeste pela mata ciliar, culminando numa grande queda d’água.

PRAÇA DA CATEDRAL

Daí a água desce em direção SE (sudeste), formando os tratos alagadiços das veredas, cuja vegetação característica é a Maurítia deflexuosa, o buriti.

PRAÇA DO RELÓGIO DE SOL

Devido a extensão de sua superfície plana, surge um espaço de grande versatilidade onde pretende-se uma homenagem ao Sol, dentro do conceito holístico suposto. Aqui há característica dos campos limpos e sujos.

PRAÇA DO ANFITEATRO

Considerando o caráter do edifício que constará da mesma (Centro Cultural) e das características morfológicas do terreno, tornou-se evidente a proposta de um anfiteatro no local, buscando sua integração com o todo. Como área seca há predominância dos campos cerrados.

PRAÇA DAS SECRETARIAS DE ESTADO

No entorno das secretarias buscou-se um tratamento paisagístico homogêneo, uma vez que estas definem-se como emolduramento da Praça. Os canteiros centrais do entorno receberam um tratamento especial com palmeiras que como elemento vertical permite maior identificação ao espaço como um todo, de caráter predominantemente cívico, determinando, por sua vez, o sentido de aproximação tanto aos pedestres como aos automóveis

DAS AVENIDAS

PARQUE LINEAR DA AV. TEOTÔNIO SEGURADO

Principal eixo viário, foi concebida como grande parque urbano de  lazer. Imprime - se a esse canteiro um desenho paisagístico que realça o caráter monumental da avenida considerando tanto a visão do observador em seu percurso horizontal, como os aspectos visuais decorrentes da verticalização da cidade. O desenho de configuração geométrica possui um traçado que insinua ângulos de visão e ritmos de percursos com constantes mudanças de direção. O Cerrado é cortante, anguloso, movimentado. Buscou-se um desenho que traduzisse esse bioma , e uma referência também a implacável ação do sol: os padrões de arborização visam contrapor áreas de sombra  e aberturas, buscando uma capacidade de trabalhar a luz, unificando e transmitindo  mistério à paisagem.

AV.JUSCELINO KUBITSCHEK

Importante corredor de ventilação urbana, conduzindo os ventos da Serra do Lajeado e as brisas constantes  proveniente do lago no sentido oeste/leste.

DA VEGETAÇÃO DO CERRADO

 Os cerrados, com 2 (dois) milhões de quilômetros quadrados, ocupam predominantemente o Brasil Central, sendo o segundo maior bioma da América do Sul.

Os solos geralmente distróficos, pouco férteis, possuem alta acidez e toxidade. São os latossolos profundos, bem drenados, vermelhos ou amarelos, originados de diversos tipos de rocha como arenito, folhelho, quartzo e ardósia. Encontram-se assentados sobre sedimentos do período terciário, formando as superfícies de pediplanos e etchiplanos características dos planaltos. Essas superfícies sedimentares funcionam como verdadeiras esponjas, retendo as águas das chuvas e liberando-as lentamente que, durante os meses da seca, alimentam as nascentes dos riachos e veredas.

O clima é tropical-quente-subúmido marcado por forte sazonalidade. As chuvas costumam ser forte, mas de curta duração.

A vegetação deste bioma apresenta especificidades morfológicas, fisiológicas e comportamentais de adaptação num ambiente cujos fatores condicionantes são a disponibilidade de água e nutrientes e a intensidade das queimadas.

Nesta paisagem, predominam árvores e arbustos de galhos e troncos retorcidos e casca corticosa. As folhas e folíolos são espessos e rígidos, com superfície lisa e cerosa ou áspera e pilosa, geralmente de com verde-claro-acinzentado. A aparência ressecada e rígida da vegetação é devida ao alto teor de alumínio no solo, e não à carência de água, como pode parecer. Sendo o lençol freático profundo, as raízes das plantas lenhosas podem chegar a vinte metros de profundidade para garantir o acesso à água, mesmo nos meses de seca. As herbáceas, por não possuírem raízes profundas e pela falta de água na superfície, secam no auge da estação seca, para rebrotarem no período chuvoso.

O aspecto tortuoso de troncos e galhos está associado às queimadas freqüentes que, causando a perda das gemas principais, estimulam a brotação das gemas adventícias, fora da posição normal, formando ramos bastante retorcidos e irregulares.

Adaptada a forte sazonalidade, a vegetação apresente picos marcantes de eventos biológicos. De junho a setembro, no inverno seco, árvores e arbustos ficam parcialmente desfolhados, ocorrendo floração em algumas espécies, tais como: o pequizeiro (Caryocar brasiliensis), a folha-larga (Salvertia convaliariaeodora), a sucupira-preta (Bowdichia virgilioides), o freijó (Cordia glabrata), o caju (Anacardium othonianum) e o pau-santo (Kielmeyera variabilis). Entretanto no estrato inferior as Graminae tornam-se pardacentas e secas. Ao final de setembro e início de outubro, ocorre o desenvolvimento de plantas lenhosas – algumas vezes antes mesmo das chuvas – acompanhaso de floração abundante. Entre outras destacam-se os ipês-amarelos (Tabebuia ochracea e Tabebuia caraiba), o cega machado (Physocalima scaberrima) e o mulungu-coral (Erytrina mulungu).

A partir de outubro e durante a primavera, com a chegada da estação úmida, os cerrados têm sua vegetação numa diversidade de tons verdes devido a variedade de texturas e formas que em contraste com o azul do céu e o avermelhado do solo explodem beleza.

Durante o período das chuvas, a camada herbácea desabrocha, há floração, farta frutificação e dispersão de sementes, sendo marcante nesta época a revoada de insetos. A estabilidade climática e a grande concentração de frutos e insetos é responsável pela aglomeração de aves migratórias, vindas de outras regiões.

A riqueza e diversidade de espécies vegetais é surpreendente. Verdadeiro pomar natural, o cerrado fornece ao homem frutas saborosas e nutritivas em número incalculável, que servem também de recurso a alimentar a fauna silvestre. Destacam-se: a marmelada-de-cachorro (Thielieodoxa lanceolata), o bacupari (Salacia crassifolia), o pequi (Caryocar brasiliensis), o cajuí (Anacardium othonianum), o murici (Byrsonima spp.), a cagaita (Eugenia disenterica) e a mangaba (Hancomia speciosa). Como potencial madeireiro podemos enumerar, entre outras, a copaíba (Copaifera langsdorfii), o cedro (Cedrela odorata), os jequitibás (Cariniana spp.), os ipês (Tabebuia spp.), as perobas (Aspidosperma spp.), o jatobá (Hymeneae stilbocarpa) e o gonçalo-alves (Astronium fraxinifolium). Centenas de plantas são utilizadas na medicina popular por todo o país – a catuaba (Anemopaegna arvense), o barbatimão (Stryphonodendron adstringens), a sucupira-do-cerrado (Pterodon pubencens) e a arnica (Lychnophora ericoides).

EQUIPE TÉCNICA:

Anelice Lober - arquiteta e paisagista

Fernando Acylino - arquiteta e paisagista

Marcelo Vasconcellos - arquiteto

Claudia Baptista

Leonardo Braga