UNIDADE INICIAL PARA O PARQUE ECOLÓGICO DO MANGUEZAL - NUTRE
NUTRE – Nucleo Tecnológico de Recuperação de Ecossistemas / Petrobrás – Parque Tecnológico do RJ

Localização: Parque Tecnológico - Ilha do Fundão / RJ

Área: 4.000 M2

Ano: 2008/2009

ARQUITETURA SUSTENTÁVEL - Criação de unidade inicial para o Parque Ecológico do Manguezal | Estudo Preliminar e Projeto Executivo de Urbanização para implantação de sede da empresa

O projeto para as novas instalações do NUTRE/Petrobrás foi integralmente norteado pelos conceitos de eco-eficiência e de sustentabilidade. A observação do sítio e suas particularidades estão presentes em cada decisão projetual gerando um edifício único e adaptado ao local. A implantação em diagonal da edificação, além de minimizar os impactos de radiação solar, possibilitou a geração de uma praça “interna” que funciona como área de observação do manguezal. Esse gesto representa o desafio do projeto: buscar o equilíbrio e a convivência saudável entre o meio natural e o construído. Para tal, a solução paisagística buscou também reforçar os princípios bioclimáticos adotados na concepção arquitetônica, além de tirar partido dos elementos construídos introduzidos pelo Projeto de Arquitetura dentro do Conceito de Biossistema . Por exemplo, o Tanque de Macrófitas acabou virando o ponto focal da praça interna – um canteiro alagado plantado com Equisetum. O novo Conceito de Biossistema visa uma mudança significativa no modelo produtivo onde os resíduos são reutilizados buscando-se imitar os Ciclos Sustentaveis da Natureza. O tratamento biológico de dejetos é definido como reciclagem de nutrientes da biomassa e produção de biogás e é conhecido por vários nomes: tratamento ecológico de águas servidas, policultura, etc.No entanto, o princípio continua sendo o mesmo: usar processos naturais de purificação de águas servidas com a recuperação de nutrientes para a agricultura e uso de energia renovável. Processados em biodigestores e filtros de contato, tanques de oxidação, sedimentação, aeração, peixes e macrófitas, os resíduos, livres de carga poluente, são utilizados na criação de peixes e aves, e na adubação de flores e hortaliças. O biogás é utilizado para cozinhar. Esta tecnologia saneia o habitat humano, agrega valor a cadeia produtiva e preserva o meio ambiente, já que o tratamento devolve a água a baía sem riscos de contaminação à natureza.

Além de tirar partido desses elementos construídos do Biossistema, o Plano Paisagístico como um todo, visou a proteção e ampliação dos fragmentos de manguezal e, seguindo os princípios da “ecogênese”, restabeleceu a cobertura vegetal própria das restingas e da vegetação de transição desses dois ecossistemas, permitindo ao usuário desfrutar de um ambiente cuja vegetação está ecologicamente ajustada à fisiologia regional da paisagem, às condições de solo e ao regime climático. Além de compatibilizar a proposta com o Projeto Paisagistico do Campus, o Plano buscou manter e reforçar as vistas do perfil das montanhas, providenciando um movimento natural ao terreno, visando estabelecer uma relação de “simbiose” entre arquitetura, jardins projetados e natureza, até ao ponto onde fosse difícil perceber a mão do paisagista na concepção dos espaços, para que estes fossem percebidos como um continuum da própria paisagem natural e construída.

 

EQUIPE TÉCNICA:

Paisagismo:

Coordenação e Autoria de Projeto : Anelice Lober - Arquiteta e Paisagista

Co- autoria: Daniele Ruas – Arquiteta e Paisagista

Estagiário: Ricardo Costa

Imagens 3D: Marcus Venanzoni

Arquitetura:

Ana Cristina Braga - Arquiteta

Carlos Murdoch – Arquiteto

Franklin Iriarte– Arquiteto

Lourdes Zunino – Arquiteta